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Antidumping e importações: o que muda para a cadeia do aço em 2026

Governo anuncia aumento de tarifas em nove categorias de produtos importados para diminuir a prática da venda abaixo do preço de custo

O Brasil encerrou 2025 com o maior volume de importação de aço laminado em 15 anos. Foram 5,7 milhões de toneladas de produtos laminados no ano — alta de 20,5% — enquanto a produção nacional caiu 2,2% e o setor acumulou 5 mil vagas fechadas e R$ 2,5 bilhões em investimentos cancelados. O Instituto Aço Brasil não poupa palavras: “o problema não é pontual. É estrutural”.

No centro da pressão está a China. O país responde por 64% das compras brasileiras do metal e opera com subsídios que permitem vender mercadorias abaixo do custo de trabalho realizado — condição que produtores brasileiros simplesmente não conseguem replicar. O resultado é que o Brasil exporta o material bruto e importa, em ritmo crescente, o item acabado: chapas para automóveis, eletrodomésticos e máquinas, os itens de maior valor agregado da cadeia. 

O governo começou a reagir no início deste ano. Em janeiro, o Gecex aprovou antidumping definitivo sobre aços pré-pintados da China e da Índia, válido por até cinco anos, e elevou as tarifas de importação para 25% sobre nove categorias de bens, incluindo laminados a quente, chapas e fio-máquina. Em fevereiro, as medidas avançaram. Publicadas no Diário Oficial no dia 18, as novas resoluções aplicaram antidumping sobre laminados planos a frio e galvanizados, com sobretaxas que chegam a US$ 670 (R$ 3.513) por tonelada. 

O setor reconhece o avanço, mas mantém a pressão. O pedido original da indústria era por um sistema de cotas rígidas que bloqueasse importações acima de determinados volumes. Isso não aconteceu. As medidas aprovadas cobrem itens específicos, mas deixam de fora uma fatia relevante do que é trazido. E há um fator externo que complica o cálculo: com as tarifas de 50% aplicadas pelos EUA sobre o aço de outros países, a tendência é que a China direcione ainda mais volume para mercados alternativos — e o Brasil está na lista. 

Para distribuidores e compradores, o cenário mudou. Com a tarifa de 25%, a diferença entre o preço doméstico e o importado deve cair de 21% para cerca de 8%, tornando as peças vindas para o Brasil economicamente menos viáveis em vários segmentos.

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