Sistema de cotas tarifárias e novas sobretaxas contra produtos chineses e indianos ajudam a conter avanço do aço estrangeiro
As importações brasileiras de produtos de aço somaram 2,9 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, uma queda de 17,6% frente ao mesmo período do ano passado. Os dados são do Instituto Aço Brasil, divulgados no dia 17 de julho, e refletem o reforço das medidas de defesa comercial adotadas pelo governo para conter a entrada de produtos siderúrgicos estrangeiros no mercado nacional.
O principal instrumento por trás dessa retração é o sistema de cotas tarifárias, que abrange 19 tipos de produtos siderúrgicos. Dentro dos limites definidos para cada categoria, vale a alíquota regular de importação, mas, quando as cotas são ultrapassadas, a tarifa salta para 25%. O mecanismo foi renovado em junho e passa a valer para o biênio 2026-2027, o que sinaliza que a política de contenção deve continuar no curto prazo.
Além das cotas, o governo também aplicou e prorrogou direitos antidumping sobre produtos específicos. Estão em vigor sobretaxas sobre aços pré-pintados vindos da China e da Índia, além de laminados planos a frio e revestidos de origem chinesa, categorias historicamente associadas a preços considerados desleais pela indústria nacional.
Apesar da queda acumulada no semestre, o comportamento mensal mostra um sinal de alerta. Em junho, as importações voltaram a acelerar e somaram 476 mil toneladas, um salto de 52,4% em relação a maio. O movimento sugere que a contenção conquistada ao longo do semestre pode não ser linear, e que o setor segue monitorando de perto a entrada de aço estrangeiro mês a mês.
Do lado da produção, o cenário também foi de retração. A fabricação brasileira de aço bruto caiu 1,5% no primeiro semestre, para 16,3 milhões de toneladas. As vendas internas recuaram 0,2%, para 10,5 milhões de toneladas, e o consumo aparente, que mede a demanda real do mercado interno, teve queda mais acentuada, de 5,3%, para 12,9 milhões de toneladas.
Na direção oposta, as exportações brasileiras de aço cresceram 3,1% no período e chegaram a 5,3 milhões de toneladas. O resultado indica que, mesmo com a demanda doméstica mais fraca, a indústria nacional tem conseguido escoar parte da produção para o mercado externo, num momento em que o setor segue pressionado tanto pela concorrência de produtos importados quanto pela retração do consumo interno.