NOTÍCIAS

Arame e tela soldada no agronegócio: a demanda que só cresce em um país dominante no ramo

Brasil tem 238 milhões de cabeças de bovinos em um negócio que consome volumes expressivos de arame galvanizado e tela soldada

O número do rebanho bovino brasileiro já é o segundo maior efetivo já registrado na série histórica iniciada em 1974 — e supera, em número, toda a população do país (aproximadamente 210 milhões de habitantes). Cada fazenda com esse gado tem cercas, e cada uma delas possui arame. A presença do segmento de arames e telas soldadas no agronegócio brasileiro não é curiosidade, mas infraestrutura básica da pecuária nacional.

O agronegócio como um todo avançou 6,49% no primeiro trimestre de 2025, segundo o Cepea/Esalq-USP em parceria com a CNA, e deve representar 29,4% do PIB brasileiro em 2025, ante 23,5% em 2024. Esse crescimento se traduz em mais área cultivada, rebanhos sob manejo intensivo, estufas, currais e divisões de pastagem. Tudo isso consome arame galvanizado, farpado, ovalado e tela soldada. Não é um mercado sofisticado no sentido tecnológico, mas é volumoso, recorrente e ligado diretamente ao ritmo de expansão do campo.

Do lado da oferta, o setor está sob pressão. Os dados da Abimetal-Sicetel mostram que as importações de arames de aço somaram 304 mil toneladas em 2025, alta de 120% em relação a 2019. A China respondeu por quase 60% do volume total importado de produtos processados de aço em 2025, crescimento de 19,4% frente ao ano anterior. No segmento específico de arame não ligado galvanizado, a tarifa de 25% aplicada em novembro de 2024 teve efeito: as importações recuaram 35,9% no acumulado de janeiro a outubro de 2025. É um alívio pontual em um quadro que a própria entidade descreve como estruturalmente pressionado.

A Belgo Arames, joint venture (aliança estratégica) entre a ArcelorMittal e a Bekaert com 8 unidades no Brasil e 3.400 funcionários, é o maior fabricante nacional do segmento e atende ao agronegócio com arames farpados, lisos, ovalados e cercas prontas. Mas o mercado não é concentrado apenas nos grandes. Fabricantes de médio e pequeno porte distribuídos por Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia competem pelo produtor rural com propostas de distribuição regional, logística mais ágil e atendimento próximo. É justamente nessa capilaridade que reside o maior desafio de comunicação do setor: chegar ao produtor rural que decide a compra no balcão da cooperativa ou da loja agropecuária, sem canal próprio de relacionamento.

A tela soldada ocupa uma posição específica dentro desse mercado. No agronegócio, ela aparece na construção de currais, baias, aviários, estufas hortícolas e na proteção de pomares. No segmento de construção rural mais tecnificado, substitui parcialmente o arame farpado por oferecer maior padronização e menor custo de instalação por metro linear. Ainda segundo dados da Abimetal-Sicetel, o volume importado de tela soldada galvanizada recuou 3,6% em 2025 após a tarifa de 25%.

A expansão da fronteira agrícola segue sendo o principal motor de demanda de longo prazo para o segmento. O Cerrado, com fazendas que crescem em área e em grau de manejo, o MATOPIBA e o avanço da pecuária para o Norte do país criam demanda por cercamento em regiões onde a infraestrutura logística de distribuição é mais escassa. 

A Latam Wire + Steel 2026, que ocorre de 10 a 12 agosto no Expo Center Norte, em São Paulo, será um ambiente em que fabricantes de arame e tela soldada se encontrarão com distribuidores, revendas e compradores do agronegócio em um mesmo espaço 100% profissional. As inscrições já estão abertas no site: wiresteel.com.br.

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn

LEIA MAIS:

Indústria Walter reforça atuação em embalagens industriais para o setor de fios e cabos

4 de agosto de 2026

Estudo estima impacto de até R$ 35 bilhões do El Niño sobre o setor elétrico

14 de julho de 2026

Com alta demanda industrial, mercado de molas projeta forte crescimento

20 de março de 2026

plugins premium WordPress

Obrigado pela sua mensagem!
Nossa equipe logo entrará em contato.