Método desenvolvido por instituto austríaco testa a estampagem a temperaturas abaixo de 500°C, com o uso de ferramentas convencionais de aço para trabalho a quente e eliminando etapas de tratamento térmico
O Centro de Competência em Metais Leves (LKR), centro de pesquisas do Instituto Austríaco de Tecnologia (AIT), desenvolveu um processo de estampagem profunda a quente para chapas da liga de titânio α-β Ti-6Al-4V que opera a temperaturas abaixo de 500°C. Normalmente, o processo é viável a temperaturas superiores a 600°C, o que requer o uso de lubrificantes especiais e atmosfera controlada.
A tecnologia foi concebida para atender à demanda da indústria aeroespacial por maior produtividade e menor consumo de energia na fabricação de componentes leves e resistentes. Ela se baseia no pré-aquecimento do blanque de titânio a uma temperatura inferior à de conformação isotérmica, seguido do estiramento imediato na prensa, o que reduz o tempo de ciclo em comparação com a conformação tradicional.
A principal vantagem técnica está na economia operacional e no ganho de eficiência do ferramental. Operar abaixo de 500°C permite o uso de aços para trabalho a quente convencionais na fabricação das matrizes e punções, dispensando o emprego de ligas à base de níquel de alto custo, exigidas nos processos SPF operados entre 840 °C e 930 °C, de acordo com comunicado de imprensa do instituto. Além disso, a exposição reduzida a altas temperaturas elimina a formação da camada superficial frágil (alpha case), dispensando etapas posteriores de decapagem ou usinagem.
Os testes de validação realizados com amostras fornecidas pela voestalpine Böhler Bleche GmbH & Co KG (Áustria) demonstraram a eficácia do processo em chapas com diferentes acabamentos, incluindo superfícies rugosas. Os ensaios atingiram profundidades de estampagem de até 68,5 mm, com alongamento até a ruptura superior a 10% sem necessidade de tratamento térmico posterior. Os ensaios iniciais confirmaram ainda a viabilidade do processo em múltiplos estágios sem necessidade de recozimento intermediário.
A tecnologia já conta com concessão de patente na Áustria e pedido internacional pendente.
Fonte: Revista Corte e Conformação
Imagem: AIT