Com a agenda traçada, ramo chega a 2026 com planos concretos e voz ativa
Foto: Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil e coordenador da Coalizão Industria | Crédito: Ricardo Matsukawa
A Coalizão Indústria apresentou balanço de 2025 e perspectivas para 2026 em coletiva realizada no dia 12 de maio. O setor do aço, que fechou o ano passado no negativo, projeta recuperação lenta.
O Brasil tem dinheiro para investir, contudo as condições para fazer isso estão longe do ideal. Foi essa a mensagem central que 13 entidades setoriais transmitiram ao apresentar um plano de R$ 1,1 trilhão em investimentos previstos para o período 2026-2030.
Os números mostram um grupo com peso real na economia: os setores reunidos respondem por 44,8% do PIB industrial, o equivalente a R$ 1,1 trilhão, além de 60,6% das exportações manufatureiras e 48,6 milhões de empregos diretos e indiretos, segundo dados elaborados a partir da Pesquisa Industrial Anual (PIA).
A Construção civil lidera os aportes previstos, com R$ 300 bilhões. Alimentos vem em segundo, com R$ 250 bilhões, seguido do setor automotivo, que projeta R$ 148,5 bilhões. Mais abaixo na lista, o aço aparece com R$ 59,4 bilhões, um valor expressivo, mas que se encaixa num contexto de expectativas mais contidas para o segmento. Para o âmbito de aço, os dados de 2026 indicam queda de 2,2% na produção física e recuo de 0,6% nas exportações. As vendas internas devem crescer 0,1%, enquanto as importações de aço no país caem 1,4%.
Outro dado apresentado ajuda a entender por que as entidades insistem tanto na pauta industrial. A correlação entre o crescimento do PIB total e o da área de transformação é de 0,88, ou seja, os dois andam juntos com força considerável. Em 80% das vezes em que o PIB cresceu acima de 4% nos últimos 76 anos, a indústria de transformação cresceu em velocidade superior à da economia como um todo, segundo levantamento com base em dados do IPEADATA e IBGE.
As prioridades da Coalizão Indústria para 2026 se organizam em torno de dois eixos. O primeiro é a recuperação do mercado interno, que passa principalmente por mecanismos mais ágeis de defesa comercial contra importações desleais. O segundo é o que chamam de competitividade sistêmica, resumida na redução do chamado Custo Brasil.
Na área de construção civil, o setor pediu melhora do ambiente regulatório para a atuação privada em infraestrutura, preservação dos recursos do FGTS para habitação e investimentos, e mais debate antes de qualquer avanço na proposta de redução da jornada de trabalho.
A agenda mais ampla da Coalizão Indústria tem quatro frentes: crescimento econômico sustentado, com dívida pública sob controle e crédito acessível; recuperação da competitividade, com reforma administrativa e simplificação tributária; acesso a mercado com isonomia competitiva; e transição energética com mecanismo de ajuste de carbono na fronteira.
Para o aço, como para boa parte da indústria pesada, o ritmo de recuperação em 2026 vai depender de quanto dessas demandas saírem do papel. A Latam Wire+Steel, que ocorrerá nos dias 10 a 12 de agosto no Expo Center Norte em São Paulo, será o encontro perfeito de profissionais da área para que os resultados se concretizem e que o panorama siga em uma direção de evolução. Mais informações e inscrições gratuitas, acesse: wiresteel.com.br.