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Guerra tarifária do aço fecha saída pelos EUA e pressiona cadeia produtiva brasileira

Com tarifas americanas bloqueando o principal destino das exportações, importadores, trefiladores e distribuidores brasileiros tentam se reposicionar

O setor siderúrgico brasileiro está no meio de dois movimentos simultâneos. As tarifas americanas sobre o aço fecharam o principal destino das exportações nacionais, enquanto o excedente global de produção chinesa inundou o mercado interno, pressionando preços e margens em toda a cadeia.

Essa questão se iniciou em fevereiro de 2025, quando o governo Trump restabeleceu a tarifa de 25% sobre o aço importado, encerrando as cotas de isenção negociadas em 2018. A alíquota foi escalando ao longo do ano: chegou a 50% em maio e permanece em vigor pela Seção 232, que trata de segurança nacional. Os EUA foram destino de mais da metade das exportações brasileiras de aço em 2024, e o Ipea estima que a tarifa represente perda de exportação de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,5 bilhões na cotação atual) e queda de produção de quase 700 mil toneladas em 2025.

Com as portas americanas fechadas, o excedente chinês encontrou caminho para o Brasil. As importações de produtos siderúrgicos cresceram 27,5% no primeiro quadrimestre de 2025, totalizando 2,23 milhões de toneladas, segundo o Instituto Aço Brasil. A concorrência é considerada desleal pelo setor: as siderúrgicas chinesas exportam com margem negativa de US$ 32 (R$ 160) por tonelada, 19% abaixo do custo de produção, sustentadas por subsídios estatais. Desde 2002, a participação do aço chinês no mercado nacional saltou de 5% para mais de 30%.

Para distribuidores e trefiladoras, o impacto é direto. O segmento de aços longos segue afetado, com entrada de vergalhões, fio-máquina, perfis, tubos sem costura e trefilados. Com o produto importado chegando mais barato, margens encolhem e estoque vira risco. O sistema de cota-tarifa implementado pelo governo em junho de 2024 não foi suficiente para conter o avanço.

O Brasil tentou compensar redirecionando exportações para outros mercados. O país encerrou 2025 com R$ 1,74 trilhão exportados, o maior valor da série histórica iniciada em 1997, mas o aço semiacabado, de baixo valor agregado, tem menos margem para absorver esse tipo de reajuste de rota. A aposta mais concreta do setor segue sendo o mercado interno, com a construção civil registrando crescimento de 4,3% do PIB setorial em 2024, segundo o IBGE, gerando demanda real por vergalhões, fio-máquina e arames. O desafio é sustentar essa competitividade com o produto importado chegando subsidiado.

É nesse cenário que a feira Latam Wire + Steel chega como espaço de debate para o setor. O evento reúne os segmentos de aços planos e longos, incluindo máquinas, tecnologias e serviços, em um único ambiente, e será realizado de 10 a 12 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP). Mais informações para expor e visitar em wiresteel.com.br

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