NOTÍCIAS

Green Steel e a pressão por aço sustentável chega à América Latina

Fornos elétricos a arco, hidrogênio verde e exigências de grandes compradores globais redesenham a cadeia siderúrgica, colocando o Brasil em uma posição que o setor ainda está aprendendo a aproveitar

Um estudo realizado pela Logcomex gerou resultados importantes para o setor de produção de aço no continente. Cada tonelada do metal produzido pelo processo convencional gera entre 1,8 e 2,0 toneladas de CO₂ — resultado do uso intensivo de coque nos alto-fornos. Multiplicado pela escala global do setor, esse número coloca a indústria entre as maiores fontes de emissões do planeta. A pressão para mudar não vem só dos reguladores, mas também dos compradores.

Montadoras, fabricantes de eletrodomésticos e grandes varejistas já exigem um material com baixa pegada de carbono como condição de fornecimento. A sueca H2 Green Steel, que levantou cerca de 6,5 bilhões de euros para construir a primeira usina de aço verde em grande escala do mundo, tem entre seus clientes confirmados Mercedes-Benz, Porsche, Scania e Ikea.

A tecnologia que viabiliza essa mudança combina dois caminhos. O primeiro são os fornos elétricos a arco, que substituem os alto-fornos a carvão por processos alimentados com eletricidade limpa. O segundo é o hidrogênio verde como agente redutor: no processo convencional, o carvão reage com o minério de ferro e libera CO₂; com o elemento químico, a reação produz vapor d’água, e a emissão cai de 1,85 tonelada para 0,05 tonelada de CO₂ por tonelada de aço. 

Para o Brasil, a janela é real. O país reúne minério de ferro de alta qualidade, matriz energética majoritariamente renovável e potencial expressivo para produção de hidrogênio verde — condições que poucos países têm ao mesmo tempo. O setor está se movendo nessa direção: a CSN recebeu R$ 102,8 milhões da Finep para desenvolver equipamentos com este conceito sustentável, e a Vale firmou acordo com a H2 Green Steel para estudar hubs industriais do metal sustentável no país. 

O ritmo da transição, porém, encontra limites concretos. A disponibilidade de energia limpa em escala suficiente para alimentar os aparelhos elétricos a arco ainda é um gargalo em boa parte da região, e a infraestrutura para produção e distribuição de hidrogênio verde está em estágio inicial na maioria dos países latino-americanos. No Brasil, a indústria siderúrgica comprometeu R$ 100,2 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos. Mas parte desse capital depende de condições regulatórias e de mercado que ainda estão sendo definidas.

Essa tensão entre a demanda crescente por aço verde, as possibilidades reais da indústria brasileira e as pressões de mercado que travam o ritmo da transição estará na pauta da Latam Wire + Steel 2026, feira da cadeia dos aços planos e longos, de 10 a 12 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento reunirá produtores, distribuidores e compradores do setor. Mais informações para expor e visitar em wiresteel.com.br

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn

LEIA MAIS:

Parceria entre Abimetal-Sicetel e Latam Wire + Steel posiciona feira como vitrine da cadeia do aço

15 de abril de 2026

Com alta demanda industrial, mercado de molas projeta forte crescimento

20 de março de 2026

LubriChemical leva inovação em lubrificação industrial para a Latam Wire + Steel 2026

4 de dezembro de 2025

Obrigado pela sua mensagem!
Nossa equipe logo entrará em contato.